domingo, 26 de julho de 2020

Educação e respeito ao outro: Frei Betto, em o Tamanho da Arrogância





       Repasso essa mensagem, da autoria do Frei Betto, que recebi pelo Whats App


TAMANHO DA ARROGÂNCIA

Frei Betto
      
       No início de julho, um fiscal da Vigilância Sanitária exigiu que um casal do Rio seguisse os protocolos de prevenção à Covid-19. Disse “Cidadão...” A mulher reagiu: “Cidadão não, engenheiro civil, melhor do que você!” E se recusaram a adotar os procedimentos exigidos.
       A arrogante senhora foi demitida, no dia seguinte, da empresa na qual trabalhava. Se o fiscal Flávio Graça, que ali cumpria o seu dever, retrucasse no mesmo tom, diria com autoridade que é formado em Medicina Veterinária pela Universidade Federal Fluminense, doutorado pela Universidade Federal Rural do RJ, coordenador de cursos de pós-graduação e superintendente de Inovação, Pesquisa e Educação em Vigilância Sanitária, Fiscalização e Controle de Zoonoses da prefeitura do Rio.
       Poucos dias depois, em Santos, o desembargador Eduardo Almeida Prado Siqueira foi multado por caminhar na praia sem máscara, contrariando decreto da prefeitura. Chamou o guarda municipal de “analfabeto”, ligou para o secretário de segurança do município para intimidar o responsável pela multa, rasgou-a e jogou-a no chão.
       Em Catalão (GO), no final de junho, um comerciante de 76 anos foi agredido ao alertar um cliente da exigência de usar máscara na loja. Fraturou o fêmur e ficará seis meses em cadeira de rodas.
       Em abril, em Araucária (PR), um homem foi impedido pelo segurança de entrar sem máscara no supermercado. Discutiram e houve o disparo de um tiro, que matou uma funcionária do estabelecimento.
       Essa arrogância entranhada em muitos brasileiros tem raízes históricas. Foram 380 anos de escravatura em nosso país, durante os quais os brancos tratavam os negros com um desrespeito que jamais repetem ao lidar com seus animais de estimação. E, hoje, temos um presidente da República que viola todos os protocolos de prevenção sanitária, dando péssimo exemplo à nação.
       Entre os vários sintomas do complexo de superioridade, segundo o psicólogo Alfred Adler, criador da Psicologia do Desenvolvimento Individual, manifestam-se o autoconvencimento, a atitude de considerar os outros inferiores e apontar defeitos, a inveja, a busca de reconhecimento, a excessiva preocupação com a opinião alheia, a falsa autossegurança.
       Educação vem do berço, dizia minha avó. Uma criança que dá ordens na faxineira, humilha a cozinheira por não gostar de uma comida, desrespeita a professora, está fadada a ser infeliz e fazer os outros infelizes. Porque todo prepotente é amargo, irascível, preconceituoso.
       Uma senhora branca saía do supermercado em Brasília e, ao avistar um negro, pediu que ele empurrasse o carrinho de compras até o estacionamento. Ele aquiesceu. Colocado tudo no porta-malas, ela lhe estendeu uma gorjeta. Ele rejeitou com um sorriso: “Agradeço, senhora. Fiz por gentileza.” Aconteceu com Vicentinho, deputado federal (PT-SP).
       Quando eu me encontrava na Inglaterra, em 1987, um sobrinho da rainha Elizabeth II foi parado pela polícia rodoviária ao dirigir em alta velocidade. “Sabe com quem você está falando?”, disse ao guarda. “Quem você pensa que é?”, retrucou o policial. Por não trazer carteira de habilitação, foi multado, e o carro, apreendido. Mais tarde, o juiz exigiu que ele pedisse desculpas ao guarda.
       Para Jesus, poder é servir: “O maior seja como o mais novo, e quem governa, como aquele que serve” (Lucas 22,24). Mas estamos longe de nos impregnar dessa cultura. Em um país com abissais desigualdades sociais, os privilegiados tendem a se considerar muito superiores aos marginalizados. As pessoas não importam. Importam os bens materiais que as emolduram.
      Em 2007, o violinista Joshua Bell deu um concerto no Teatro de Boston, lotado de apreciadores que pagaram, no mínimo, 100 dólares por ingresso. Dias depois, o jornal Washington Post decidiu testar a cultura artística do público. Levou o violinista para a estação de metrô da capital americana. Durante 45 minutos, ele tocou Bach, Schubert, Ponce e Massenet.
      Eram oito horas de uma manhã fria. Milhares de pessoas circulavam pelo metrô. Quatro minutos após iniciar o concerto subterrâneo, o músico viu cair a seus pés seu primeiro dólar, atirado por uma mulher que não parou. Quem mais lhe deu atenção foi um menino. Porém, a mãe o arrastou, embora ele mantivesse o rosto virado para o violinista enquanto se distanciava.
      Durante todo o tempo do concerto, apenas sete pessoas pararam um instante para escutar. Cerca de vinte, jogaram dinheiro sem deter o passo. Ao todo, 32 dólares e 17 centavos a seus pés. Quando cessou a música, ninguém aplaudiu.
      Bell é considerado um dos melhores violinistas do mundo. Mas nessa sociedade neoliberal hegemonizada pelo paradigma do mercado, ele ali era um “produto” colocado na prateleira errada. Como se o fato de estar em local público tornasse sua música de menos qualidade. Estivesse um músico medíocre no palco do Teatro de Boston com certeza teria sido ovacionado.
      Como disse Molière, “devemos olhar demoradamente para nós próprios antes de pensar em julgar os outros.”

*Frei Betto é escritor, autor de “Reinventar a vida” (Vozes), entre outros livros.
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terça-feira, 14 de julho de 2020

Educação e Religiosidade: Somos um só povo, os Filhos de Deus




Somos um só povo, os Filhos de Deus
Cosme Castor
Li uma mensagem no Whats App, há poucos dias, e procurei entendê-la melhor.
Nela, dizem que, em relação a essa pandemia da corona vírus, as pessoas estão separadas em dois grupos diferentes e adversários.
Grupo 1: As pessoas que querem o isolamento.
Na descrição desse grupo, dizem que é compreensível que as pessoas tenham muito medo e acrescentam: “maioria de acomodados e aproveitadores, que colocam a economia em segundo plano”.
Grupo 2: As pessoas que pensam só em dinheiro.
Dizem que essas, também, têm medo e são os que estão sendo atingidos e se preocupam. Dizem, ainda, que esses “não têm recursos, nem mesmo para o básico e tudo que têm está em risco eminente”. Concluem que preferem o risco de voltar ao trabalho e de se contaminar com o vírus.
Refletindo sobre a mensagem:
A pessoa humana ainda demonstra desconhecer o sentido da vida. Por isso, Deus enviou Jesus Cristo, para que todos sejam um (Jo17,21). E também para que todos tenham vida e vida em abundância (Jo10,10), para ser vivida em comunidade (Atos2,42-47).
Vê-se que Deus não estabeleceu normas para dividir e classificar as pessoas em grupos, muito menos, em grupos de opressores abastados, ou de oprimidos acomodados, aproveitadores ou miseráveis.
O homem rejeitou a proposta de Deus porque sabia que as suas obras seriam reprovadas (Jo3,20). Assim, o próprio homem criou esse espírito de divisão: uma forma de enganar o povo, jogando um contra o outro, ambos na condição exclusiva de subserviência.
Nasceram daí as classes sociais, mantidas cada uma em determinado patamar. As classes, que se fizeram mais poderosas, assumiram o “direito” de explorar as demais.
Essa ideia da divisão em grupos é bem conveniente para quem sempre explorou o outro. Visando ao próprio benefício, alimenta esse sistema perverso do capitalismo, que consiste na exploração da pessoa humana.
Para os exploradores, a pessoa humana é apenas mais um equipamento a ser usado. Como os demais, se ficar velho, não serve mais para produzir. Então, deve ser descartado, como disse um dos muitos Ministros da Saúde, do atual sinistro governo brasileiro.
No mundo, especialmente, no Brasil, estamos vivendo uma época semelhante à que Jesus viveu aqui na terra. O Antigo Testamento denuncia e, no Novo Testamento, o próprio Jesus confirma que os homens não o ouvem mais e não aceitam o anúncio da Palavra de Deus.
O homem substitui Deus por coisas e valores que produzem os prazeres imediatos e passageiros, do aqui e agora. Nada constante. Pura ilusão. Mas atende à maldade que está encravada em seu coração.
Jesus insiste em convidar o povo à conversão. Como é ignorado, ele alerta essa gente para o perigo que correm se continuarem preferindo seguir os próprios anseios de poder e auto suficiência.
Jesus condena, de tal forma, essa situação de insistência em divisões, do não arrependimento e de ignorância dos povos, que usa palavras bem incisivas para alertá-los de que esse caminho leva à destruição.
Podemos ver na Bíblia, em Mt11,20-24, que Jesus censura as cidades, onde Ele havia feito muitos milagres.
De tão incisivo, Jesus até ameaçou, inclusive, a cidade de Cafarnaum, onde morou por muito tempo. Disse que a sua condenação ia ser pior do que a da cidade de Sodoma, uma das que foram destruídas, exatamente, pela sua auto suficiência e pelos seus pecados, semelhantes ao que se vê, hoje, no Brasil.
Voltando aos grupos:
No grupo 2, quando as pessoas dizem “voltar ao trabalho”, referem-se aos empregados delas. Os empregados devem voltar ao trabalho.
Dizem não ter recursos, mas eles são os verdadeiros abastados.  São os corruptos do mundo empresarial, político, jurídico e religioso, dentre outros que, inclusive, se dizem cristãos.
No entanto, com os estudos que consegui realizar na minha caminhada pela vida, até aqui, eu entendo que um País deve viver em função do bem estar do seu povo.
Os ministérios, especialmente, o da economia, o da saúde, o da educação, o da justiça todos os demais, devem estar sempre a serviço da vida, visando a oferecer ao povo, especialmente, a cada cidadão, as condições ideais para o bem viver.
Conclusão:
Existe somente um grupo, no mundo:
- Nós, os filhos de Deus.
Por isso:
- Busquemos nossa paz interior!
- Afastemos a raiva do nosso coração!
- Vamos amar o outro, como Jesus nos ama! (Jo15,12).
Comece dentro de casa, pelo seu companheiro ou companheira.
Continue a amar no seu trabalho, na sua escola, na sua Igreja e em todo e qualquer ambiente por onde você andar.
Cuide-se!
Se puder, fique em casa!
Jesus te ama!
Um abraço do irmão,
Cosme Castor

terça-feira, 7 de julho de 2020

Educação e Amizade: Saudade



SAUDADE 

Interessante!
Estamos perto do outro.
Sabemos onde o outro está.
Não podemos visitar o outro.
Vem a saudade nos consolar.
A nossa esperança é que Maria,
com Seu Filho, Jesus,
nos ajuda a suportar,
mantendo-nos fortes no Seu amor.
Então, 
um dia, bem próximo,
poderemos dispensar, amigavelmente, a saudade,
nos abraçar e dizer como Jesus nos ensinou:
- Eu te amo!
E mais:
- Muito Obrigado, pelo seu amor.
Carinhosamente,
Cosme Castor, com
- Um abraço!

sábado, 4 de julho de 2020

Educação e Amizade: Um abraço faz falta



Um abraço faz falta!
Cosme Castor
Um abraço!
Assim dizemos, toda vez que encontramos um/a amigo/a.
Oferecemos e ele/a aceita:
Um abraço!
Se encontramos a/o namorada/o, damos/ganhamos um beijinho e o que acontece?
Ganhamos e damos:
Um abraço!
Se jogando futebol, fazemos uma grande defesa e/ou fazemos um gol, corremos ao encontro do outro e damos:
Um abraço!
Se estamos numa reunião e apresentamos uma grande ideia, os companheiros dizem que merecemos:
Um abraço!
Se estamos nos comunicando com um/a amigo/a, por escrito, no zap ou por outro instrumento, finalizamos com o envio de:
Um abraço!
E, como resposta, recebemos:
Um abraço!
Se estamos tristes, num momento não muito agradável, o outro vem de lá e, mesmo sem dizer uma palavra, nos conforta com:
Um abraço!
Quando conseguimos uma grande vitória, somos logo agraciados com:
Um abraço!
Se queremos mostrar a nossa gratidão a alguém, damos imediatamente:
Um abraço!
Mas se alguém lhe é grato, vem lhe demonstrar a alegria, com
Um abraço!
Muito mais eu e você poderíamos dizer sobre a magia do dar e receber um:
Um abraço!
Porque todas as pessoas, sob qualquer pretexto, gostam de dar e receber:
Um abraço!
Então, lhe agradeço, por ter aceitado, carinhosamente:
Um abraço!
Do amigo Cosme Castor, o Vovô Dadai, que encerra essa conversa com:
Um abraço!
Observação: Como estamos nessa fase de pandemia, vamos pedir a Deus que ela vá embora, o mais rápido possível, para que possamos realizar sempre o nosso desejo de nos encontrarmos, pessoalmente, e trocarmos com o/a outro/a:
Um abraço!

quinta-feira, 2 de julho de 2020

Educação e Religiosidade: Jesus Cristo não vai passar



Jesus Cristo não vai passar
Cosme Castor
Muita gente vive a esperar que Jesus Cristo venha (de novo?) ou mande alguém para socorrer o povo e protegê-lo de tanta miséria, de tanta maldade e de tanta exploração do irmão, que tem causado muito sofrimento às pessoas, no Brasil e por todo o mundo.
Isso acontece, inclusive, em grupos com pessoas de “boa” formação religiosa.
Certa vez, num Encontro de Jovens da Igreja Católica, na Arquidiocese de Feira de Santana, Estado da Bahia, promovido pelo TLC – Treinamento de Liderança Cristã, um movimento que visa à formação cristã para a juventude, onde o jovem evangeliza o outro jovem, aconteceu um fato interessante.
Como o jovem gosta muito de músicas animadas, esse é um dos pontos altos do Encontro. Num desses momentos, um grupo, formado por mais de 70 jovens, cantava animadamente:
“Quando Jesus passar / Quando Jesus passar / Quando Jesus passar / Eu quero estar no meu lugar”.
Esse era o refrão, repetido sempre com muita animação, em voz alta e com sorrisos que demonstravam a alegria de estar ali, participando daquele Encontro com o Cristo e com os irmãos.
Mas participava desse momento, também, o Frei Félix de Pacatuba, (falecido) um dos Diretores Espirituais desse Encontro, primeiro homem de Igreja que realmente se preocupou e fez algo pela juventude cristã de Feira de Santana, criando, inicialmente, a Congregação Mariana. (1962)
Então, com o vozeirão que lhe era peculiar, lá do fundo da sala, Frei Félix começou a cantar e todos pararam para ouvir. Ele cantava assim:
“Jesus Cristo não vai passar / Jesus Cristo não vai passar / Jesus Cristo não vai passar / Por quê? / Ele está dentro do seu coração”.
Passado o “susto”, Frei Félix fez um breve comentário, e a turma o acompanhou, com muita animação, entoando também essa parte nova da canção, que aprendera naquele momento.
Uma grande lição, que deve ser divulgada para todos os que ficam questionando a Deus, a Jesus e, às vezes, a Nossa Senhora e a outros santos, sobre esse caos que tomou conta da cidade de Feira de Santana, da Bahia, do Brasil e de todo o mundo, o que se agravou com a chegada dessa pandemia, causada pelo corona vírus.
Nesse questionamento impensado, há quem diga até que foi Deus que mandou “alguém”, ou seja, mandou esse vírus, para castigar as pessoas. Pensamento justificável, na ânsia que as pessoas sentem, ao tentar buscar uma explicação imediata e plausível para essa questão.
Assim, é mais cômodo. Jogam a culpa em Deus, que deu a liberdade de ser, “do jeito que a gente gosta”. Até, rezam o Pai Nosso, concordando com Jesus Cristo, - “seja feita a Vossa vontade” - contanto que essa vontade do Pai coincida com os seus anseios.
As pessoas devem lembrar que Deus não vai mandar ninguém. Ele já mandou o próprio Filho, Jesus Cristo, que está presente, no dia a dia de todas as pessoas.
O problema é que, geralmente, essas pessoas ouvem as palavras de Jesus e não as colocam em prática. Estão sendo insensatas. Estão construindo as suas casas sobre a areia. Quando vêm a chuva, as enchentes, os ventos, dentre outros, derrubam suas casas, causando sérios problemas para as suas vidas. (Cf. Mt 7,27)
O homem precisa assumir a sua responsabilidade e se conscientizar de que ele mesmo atraiu essa pandemia, como eu falei em um texto publicado anteriormente:
“A matéria prima da atração é a maldade incrustrada no coração do homem. Esses “donos” do poder fazem as leis para facilitar a convivência social, obrigam a cada pessoa do povo a cumprir, mas não as cumprem.
Conforme o Evangelho de Mateus (23,3), dessa mesma forma também acontecia, na época em que Jesus viveu em nosso meio.
Hoje, os desmatamentos; as queimadas, nas matas; o óleo derramado nas praias do Nordeste Brasileiro; o regime escravocrata de trabalho; a indiferença, diante do sofrimento das famílias de pequeno ou quase nenhum poder aquisitivo; dentre outras; todas essas más ações praticadas pelo homem, contra seus irmãos e contra a natureza, trouxeram essa pandemia.”
O homem precisa é de voltar-se para o Evangelho que o Cristo deixou para todos.
Então, fica bem claro que Jesus Cristo não vai mandar ninguém para acalmar e para trazer a paz para o homem. Ele já veio. Continua presente, através do Espírito Santo, que Ele mesmo enviou (Cf. Jo 16,7), para ser o orientador, o defensor, o advogado de todas as pessoas.
Portanto, não há razão para ficar esperando por alguém que já veio, já chegou e já está presente.
Faz-se necessário, sim, modificar os hábitos; cada um deve voltar-se mais para o outro, especialmente, para os que estão perto, como também, para os que estão longe.
Faz-se necessário, também, edificar a própria casa sobre a rocha (Cf. Mt 7,24-25). Então, poderá vir qualquer tempestade, qualquer pandemia e se continuará firme, vencendo todas as atribulações que venham a se apresentar.
Finalmente, o homem deve se esforçar para perceber a presença constante de Jesus Cristo, desde ontem, por todo o dia de hoje e por todos os dias de sua vida. Tudo isso, com um importante detalhe: - fazendo sempre o que Jesus disser (Jo 2,5), como sua Mãe Maria aconselhou.
Por tudo isso: “Buscai em primeiro lugar o reino de Deus e sua justiça e tudo o mais vos será dado”. (Mt 7,33)
Referência:
Bíblia Sagrada Ave Maria – Edição de Estudos. 5ª edição. 2015. Edição Claretiana. Editora Ave Maria. São Paulo.
Haroldo J. Rahm, s. j. Treinamento de Liderança Cristã: mini-TLC, TLC e amor exigente. Edições Loyola. São Paulo. SP. Brasil. 1998.

sexta-feira, 26 de junho de 2020

Educação e Sociedade: Esse vírus é O ALGUÉM?




Esse vírus é O ALGUÉM?

Clelmo, um dos meus filhos, sugeriu fazer uma reflexão sobre esse momento de pandemia que estamos atravessando.  Resolvi colocar aqui o texto a mim enviado, que ele apresenta como base para a reflexão. Em seguida, apresento o meu comentário.
Vejamos:

“CRISTO MANDE ALGUÉM 
Há alguns anos, na maioria das Igrejas Cristãs, se cantava a música “Cristo, mande alguém”. Nessa música, pediam a Cristo que mandasse alguém para ajudar a humanidade a reencontrar o caminho.
A música fala em drogas, guerras, crianças abandonadas e conflitos familiares. Ainda não existiam os males da internet; o distanciamento das pessoas; o desamor, preferindo relacionamentos virtuais aos reais; o bullying cibernético ou o ciber bullying, etc. Sem falar na degradação da família, na desvalorização dos idosos, na banalização da violência e na indiferença, em relação a dor do irmão.
De repente, no meio desse furacão, surge um vírus, algo, a princípio, nocivo, ameaçador e mortal. Um mal invisível que literalmente parou o mundo e enclausurou as pessoas em casa, com medo, no famoso isolamento social.
Bares, shoppings, cinemas, feiras livres e o comércio em geral, todos fechados. Com isso, o distanciamento social que antes era uma opção, passou a ser obrigatório e não abraçar ou beijar seus familiares e amigos passou a ser uma obrigação e uma expressão de cuidado e de amor.
Os membros das famílias foram “obrigados” a passar mais tempo juntos.
Pais, que nunca haviam brincado com seus filhos, redescobriram como é bom ser criança. Casais, que praticamente não se viam, foram “obrigados” a conviver 24 horas juntos e puderam se conhecer melhor.
E a máscara, que era usada apenas pelos profissionais de saúde, passou a ser item obrigatório na vestimenta de todos, numa forma de cuidar do outro.  Sim, do outro! O “nefasto” vírus nos dá a oportunidade de seguir o maior de todos os mandamentos: amai-vos uns aos outros, como Eu vos amei.
A máscara nos permite proteger o irmão, mesmo sem saber quem é ele, mesmo que ele não esteja usando máscara para nos proteger, ou seja, um amor altruísta, do jeito que Jesus nos ensinou, que não se importa se vai ou não ser retribuído.
Então... Será que esse vírus é O ALGUÉM?”

MINHA RESPOSTA:

                  Esse vírus é O ALGUÉM?

Buscai em primeiro lugar o reino de Deus e sua justiça e tudo o mais vos será dado. (Mt 7,33)
Realmente, estamos vivendo um momento especial da história da humanidade. Por todo o mundo, sentimos o reflexo dessa pandemia, que causou todos os problemas de que temos conhecimento, inclusive, os que eram cantados na música “Cristo, mande alguém”, conforme sua observação.
No entanto, sabe-se, também, que o mundo vive muitos outros problemas, causados pelo afastamento dos caminhos que Jesus Cristo mostrou a todas as pessoas, de todas as partes do mundo.
Vemos hoje o desrespeito, o ódio, a violência, o desamor, a imperar e a comandar a vida das pessoas. A mentira, apelidada pelo termo em inglês, o fake news, é um dos instrumentos que mais fere as pessoas e as desviam dos seus caminhos, atualmente.
Mentiras, falsidades, hostilidades e perseguições são fatores que marcaram a vida das pessoas, também, mesmo antes do tempo em que Jesus Cristo esteve aqui na terra, registrado na Bíblia, lá no Antigo Testamento.
Nessa fase da história, os Profetas se empenhavam para alertar o povo e, assim, fazê-lo voltar para os caminhos de Deus.
Mas as ilusões e a falsa liberdade que o mundo oferecia deixavam o povo atordoado e iludido. Mágoas, rancor e ódio, facilmente, dominavam seu coração.
Sempre tirando proveito da situação, os governantes queriam apenas que o povo continuasse a produzir para manter em alta o crescimento das suas riquezas.
 O povo era compensado, apenas, com o necessário para manter-se vivo e produtivo.
Hoje, a história se repete. Vemos os líderes governantes da nossa pátria a desviar o povo dos seus verdadeiros problemas.
O mais triste de tudo isso é que uma grande parte de líderes de diversas religiões apoiam e incitam o povo a viver esse mundo de mentiras e de violência, onde a vítima é o próprio povo.
A esses líderes religiosos, falsos profetas, a Bíblia denuncia, em muitos trechos do Antigo e do novo Testamento, como destacamos em alguns destes momentos:
- “Ai dos pastores que deixam perder-se e dispersar-se o rebanho miúdo de minha pastagem!” (Jr 23,1)
- “Ai dos profetas insensatos que seguem sua própria inspiração.” (Ez 13,3)
- “Guardai-vos dos falsos profetas. Eles vêm a vós disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos arrebatadores.” (Mt 7,15)
- “Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Sois semelhantes aos sepulcros caiados: por fora parecem formosos, mas por dentro estão cheios de ossos, de cadáveres e de toda espécie de podridão.”  (Mt 23,27)
A violência contra a mulher, contra o negro, contra o povo pobre; a desobediência às leis; a incitação das pessoas contra os cuidados e recomendações necessárias ao combate a essa pandemia do covid; tudo isso está sempre na ordem do dia.
A mensagem do Evangelho de Jesus Cristo vai contra todas essas coisas que vêm acontecendo na vida do brasileiro e na vida das pessoas, por todo o mundo, especialmente nos campos social e político e, como vimos, até no religioso.
Mesmo vivendo essa situação e vivendo essas dificuldades, o brasileiro precisa tomar suas decisões. Deve imitar a Jesus, que veio ao mundo, enviado por Deus, como um homem do povo, pobre e humilde. E veio com a missão de libertar o povo de Deus da opressão e da escravidão.
Aqui, cumpriu sua missão e nos enviou para que o imitássemos, realizando a nossa missão do mesmo jeito que Ele realizou a Dele, em defesa e benefício do povo, conforme a vontade do Pai.
Diante dessa atitude de Jesus, de lutar pelo povo por toda a sua vida, não acredito “que esse vírus é O ALGUÉM”.
Sua ação maligna foi atraída, justamente, por essa gente que assume lideranças política e/ou religiosa, para defender interesses de grupos, sacrificando a vida do povo e negando todos os ensinamentos de Jesus Cristo.
A matéria prima da atração é a maldade incrustrada no coração do homem. Esses “donos” do poder fazem as leis para facilitar a convivência social, obrigam as pessoas do povo a cumprir, mas não as cumprem.
Conforme o Evangelho de Mateus (23,3), dessa mesma forma também acontecia, na época em que Jesus viveu em nosso meio.
Hoje, os desmatamentos; as queimadas, nas matas; o óleo derramado nas praias do Nordeste Brasileiro; o regime escravocrata de trabalho; a indiferença, diante do sofrimento das famílias de pequeno ou quase nenhum poder aquisitivo; dentre outras; todas essas más ações praticadas pelo homem, contra seus irmãos e contra a natureza, trouxeram essa pandemia.
Esse lado positivo que desperta a oportunidade de seguir o maior de todos os mandamentos: amai-vos uns aos outros, como Eu vos amei”, como foi citado acima, apenas acontece na mente daqueles que acreditam em Jesus Cristo, Filho de Deus Pai.
Os aproveitadores, que não acreditam em Jesus Cristo, vão continuar não acreditando e não amando aos irmãos, como Jesus amou.
Na verdade, vão querer sempre se aproveitar da bondade e do amor das pessoas, com ou sem pandemia.
Tudo isto está sendo comprovado nos noticiários dos meios de comunicação, paralelo à divulgação dos dados sobre a pandemia.
Então, continuarão servindo ao “deus” do dinheiro e da exploração do irmão, em benefício próprio e de grupos usurpadores dos direitos do outro, dos direitos do irmão, por todo o mundo.
Tudo isso, cada um de nós pode testemunhar, de perto, aqui no Brasil, em cada um dos municípios, onde moramos.
A nossa esperança está na intercessão de Nossa Senhora, Padroeira do Brasil, e no amor do Seu Filho, Jesus Cristo, por nossa gente e por todas as gentes do mundo.
Afinal de contas, Deus é Brasileiro, também.

Referência:
Bíblia Sagrada Ave Maria – Edição de Estudos. 5ª edição. 2015. Edição Claretiana. Editora Ave Maria. São Paulo.

segunda-feira, 4 de maio de 2020

Educação e os desafios do Cristão: CARTA DE SÃO PAULO AOS CORÍNTIOS DE HOJE

Recebi, pelo "zap", em 05Jun18, essa 
CARTA DE SÃO PAULO AOS CORÍNTIOS DE HOJE.
Resolvi registrar. 
Postei, para lembrar aos Cristãos de hoje 
esse grande desafio:




CARTA DE SÃO PAULO AOS CORÍNTIOS DE HOJE ZAP/05jun18

Se eu aprender inglês, espanhol, alemão e chinês, e dezenas de outros idiomas, mas não souber me comunicar como pessoa, de nada valem minhas palavras.
Se eu concluir um curso superior, andar de anel no dedo, frequentar cursos e mais cursos de atualização, mas viver distante dos problemas do povo, minha cultura não passa de inútil erudição.
Se eu morar no Nordeste, mas desconhecer os problemas e sofrimentos de minha região e fugir para férias no Sul, até na América ou Europa, e nada fizer pela promoção do homem, não sou cristão.
Se eu possuísse a melhor casa de minha rua, a roupa mais avançada do momento e o sapato da moda, e não me lembrasse de que sou responsável por aqueles que moram na minha cidade e andam de pés no chão e se cobrem de molambo, sou apenas um manequim colorido.
Se eu passar os fins de semana em festas e programas, sem ver a fome, o desemprego, o analfabetismo e a doença, sem escutar o grito abafado do povo que se arrasta à margem da história, não sirvo para nada.
O cristão não foge dos desafios de sua época. Não fica de braços cruzados, de boca fechada, de cabeça vazia; não tolera a injustiça nem as desigualdades gritantes de nosso mundo; luta pela verdade e pela justiça com as armas do amor.
O cristão não desanima nem se desespera diante das derrotas e dificuldades, porque sabe que a única coisa que vai sobrar de tudo isso é o AMOR.
Dom Hélder Câmara
Parafraseando 1Cor 13,1-13.


Parafraseando 1Cor 13,1-13.